Um compositor popular silenciado pela BBC

Malcolm Arnold: The Dancing Master (Resonus)
****
O compositor mais popular e prolífico de seu tempo, Malcolm Arnold, foi evitado pelo establishment musical britânico por ser, principalmente, muito popular e prolífico e, portanto, uma ameaça potente para os “joão ninguém” que não o eram. Arnold (1921-2006) carregava outras manchas no seu nome. Ele era um ex-músico de orquestra (ou seja, da classe trabalhadora), um vencedor do Oscar (um fato considerado vergonhoso), um sinfonista tonal (algo inaceitável na BBC), um alcoólatra e um filantropo que sofreu repetidas crises mentais. Em resumo, ele era tudo o que os engravatados odiavam.

A prova de seu poder é atestada por esta ópera de um ato escrita em 1952, rejeitada por um painel de executivos da BBC que a haviam encomendado para o novo serviço de televisão e nunca encenada. Não é sério o suficiente, disseram eles, e um pouco indecente. O compositor lembrou-lhes que eles haviam pedido uma comédia, o que, claro, foi uma inútil argumentação.

Conhecia Malcolm um pouco, tive contato com ele em seus últimos anos. Ele era uma figura inclinada e trágica sob medicação pesada. Suas nove sinfonias nunca foram programadas como um ciclo, uma omissão importante por parte dos burocratas da BBC e suas orquestras subempregadas.

The Dancing Master (O Mestre de Dança), no que parece ser sua primeira gravação, tem música melhor do que a comédia da aldeia de Britten, Albert Herring, e piadas muito melhores. Para citar uma das primeiras linhas: “Huh! Casa da gula, casa da putaria! Licença! Deboche! Luxúria! Devassidão! Feche a janela! Feche a janela! Aqui não teremos cheiro de pecado!” Não dá vontade de ver a ópera assim que ela for encenada?

Eleanor Dennis canta Miranda (o interesse romântico), Catherine Carby é a Prue ardilosa e Ed Lyon é uma pretendente que entra em seus aposentos com o disfarce de professora de dança. John Andrews inspira uma animada interpretação da BBC Concert Orchestra. Me trouxe um pouco de luz solar para uma semana nublada de Covid. Vou, agora, em busca de um pouco de putaria segura.

 

share this

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on google
  • This is the last sentence, translated to Klingon.
    “‘ej yabDaj, chenpu’ je yaBDaj, tangqa’ targh maHbej ‘ej tangqa’ targh malja’ XXXXXXX wIHoHbej.”
    For Some reason, “putaria” has no translation in the klingon language…

  • >